• Aderbal Machado

Carlos Moisés volta ao governo e estamos num funil de trânsito ingrato


O retorno de Carlos Moisés ao governo, após absolvido pelo Tribunal Especial por 6 x 3 e uma abstenção, fica a dúvida quanto ao segundo processo, o dos respiradores. Dúvida, vírgula: dificilmente será condenado. Sete votos (dois terços) pela sua condenação será tarefa bastante improvável, apesar das realidades do caso - R$ 33 milhões pagos sem licitação e adiantados, sem entrega dos equipamentos todos e nem a devolução do que sobrou. Entretanto, falta a assinatura do governador em qualquer elemento de prova ou a clara manifestação de sua intervenção direta. In dubio, pro reo.

Como particularidade, a mim me pareceu muito esquisita a abstenção do deputado Luiz Fernando Vampiro (MDB). Um resultado que não mudaria nada naquele momento, soou sem sentido. Nem decidiu, nem marcou posição. Ficou na nuvem. Espera-se mais de um político com mandato eletivo na hora de deliberar. Abstenção é uma ausência de conteúdo. Num caso grave desse, mais ainda se exige decisão. Esquisito.

Agora, Moisés terá, como eu disse noutra postagem, que abrir o mar. E já começou, demonstrando mais ação política, no seu desejo prático e imediato de se relacionar devidamente com a sociedade e a Assembleia. Fez o que nunca antes havia feito - chamou a imprensa para mostrar sua cara e sua vontade. Nada que um bom susto não resolva.

Sinceramente, até acreditaria - tempos atrás - na sua condenação. Porém, ouvindo os argumentos dos deputados cheios de chavões e retóricas pouco convincentes e as contradições do processo, demonstradas pelo notório saber jurídico dos desembargadores, vi ali a razão de sua absolvição. Os deputados exageraram na politicagem e ficou muito clara uma intenção de apenas apear o homem do poder, mudando a configuração político-administrativa do estado e, pior: dando azo ao retorno dos velhos costumes e práticas. Não que o governador esteja agradando a mil, com suas mancadas repetidas. A questão é seguir adiante e mudar quando for para mudar, se for o caso, em 2022. Tapetão nunca é saudável.

Se Moisés acabar com suas fantasias e seus pendores para erros que vão desde a nomeação de assessores até o descaso com as regiões, quem sabe saia do inferno astral. Longe de acreditar que reunirá condições de se reeleger - se chegar à candidatura -, ao menos diminuirá o desgaste, caso se comporte conforme o figurino.

Pena que, desde já, saibamos que 2022 terá como candidatos nomes já manjados. Santa Catarina está nesta há muito. É um funil de trânsito ingrato.

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