Balneário e Camboriú: orçamentos para 2021, carências, necessidades e cálculos a fazer


Orçamentos de Balneário Camboriú e Camboriú para 2021 mostram uma disparidade enorme. Enquanto Balneário prevê R$ 1.166.898.200,72 (AQUI) de arrecadação, Camboriú tem uma previsão de R$ 237.670.000,00 (AQUI), praticamente dois meses e meio de arrecadação de Balneário. Enquanto aqui se arrecada R$ 3,2 milhões por dia, em Camboriú a média é de R$ 651 mil.

Fica-se a pensar como a cidade consegue administrar isto, para prover os interesses e necessidades de seus 83 mil habitantes e 214,5 quilômetros quadrados de território, com mil dramas a resolver e uma malha viária enorme, além de tantos outros fatores de preocupação diária - como saneamento básico, geração de emprego e renda e atendimento social.

A maioria dos problemas de Camboriú são causados pela forte migração, cuja destino é, justamente, a parte mais densamente povoada e já configurada como de alta exigência social. Muitos que para cá vêm, imaginam Camboriú e Balneário serem a mesma cidade e o encanto da propaganda da praia. À busca de oportunidade e qualidade de vida, acabam por se estabelecer de qualquer jeito, onerando Camboriú com as obrigações e as responsabilidades todas que vêm daí.

Milagre, portanto, a cidade estar sobrevivendo com tal quadro. Os reflexos disso a gente conhece. E é preciso adotar medidas urgentes e fortes, como a atração de empresas dispostas a investir forte, a recuperação e estruturação do turismo rural, fortalecimento do seu sistema de saúde, investimentos pesados em saneamento básico.

Noutro prisma, Balneário Camboriú (145 mil habitantes, 46,5 quilômetros quadrados de território) briga por manter a sua qualidade de vida, atormentada por um sistema viário ainda confuso, apesar dos investimentos e novas alternativas de tráfego - atuais e futuras. Ainda falta fazer as passagens das marginais sobre os túneis, a fim de acabar com os cruzamentos, alargar os túneis, terminar as pontes das marginais, privilegiar transporte coletivo, estimular o uso de bicicletas, tornar o hospital municipal de fato, buscar opções de atração sazonal de turistas, dentre outras. Sem esquecer, igualmente, a necessidade de ampliar captação de água bruta e tratamento e distribuição de água potável. No momento isto parece não ser necessário, mas esperemos uma bela estiagem ou o rompimento de uma adutora para vermos como é e como precisa ser. Nossa reservação também é pouco segura - em torno de 17 milhões de litros. Considerando-se um consumo médio de 35 milhões de litros por dia em tempo normal e cerca de 80 milhões na temporada (150 litros por pessoa/dia), imagine-se um baque no sistema em qualquer das duas épocas com ausência de abastecimento por um dia. Iremos ao caos. E isto já ocorreu.

É hora de investir maciçamente nisso tudo.

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