Balneário Camboriú: as batalhas inglórias por erros de objetivo e de forma


Balneário Camboriú e suas vozes vivem se alimentando de batalhas inglórias. Coincidentemente, lutas de objetivos vitais. Exemplos: efetivo policial decadente, Centro de Eventos, manutenção do Hospital Ruth Cardoso, transporte coletivo urbano, mobilidade e, admita-se, ausência de força e expressão política - fator vital de grande influência.

Quanto a efetivo policial, nossos vereadores, prefeitos e entidades berram desde sempre pela sua ampliação. Desgraçadamente, a cidade, lá no passado, 20 a 30 anos, tinha efetivo policial militar absoluto de mais que o dobro do atual, com uma população de metade ou menos que metade da atual. Quanto mais se berrava, mais se perdia. Luta inglória e inútil.

Quanto a Centro de Eventos, a notória indefinição de sua ocupação vem desde o inicio. Independe, como muitos tentam induzir, da pandemia. Tanta a indefinição quanto aos seus objetivos anunciados que só se percebeu a ausência de estudo de viabilidade econômica com o prédio já erguido e fisicamente pronto, ao tempo de Pavan na Secretaria Estadual de Turismo. Dito por ele, com inevitável surpresa.

O desenrolar de sua novela conhecem todos. Está ali. Ainda parado. Ainda inerte e sem qualquer definição. Supõe-se, enganosamente, que será possível ocupá-lo dentro das ideias sonhadoras originais. Esqueçam. E se não encontrarmos para ele uma utilidade diversa ou mais adequada, o prédio virará uma tapera à beira mar plantada. Até por consequência da pandemia, aí sim. Ou, quem sabe, teremos de aturar o estado dar-lhe uma destinação absolultamente inconveniente aos nossos propósitos e necessidades. Mas as vozes continuam bradando pela sua original finalidade. Vão amargar muitos reveses nesse caminho. Tomara que não seja tarde quando perceberem o erro. Minha intuição me assusta.

Vereadores, como no caso do efetivo policial, investiram inutilmente em camisetas promocionais dessa política. Mais de dez anos. Bem mais. Infrutífero. Um revés, até, como disse lá em cima. Quanto mais se gritava, mais se perdia efetivo. Aos magotes. Em 2010, quando tínhamos até um governador efetivo da cidade, perdemos 23 de uma tacada só.

Agora o Hospital Ruth Cardoso. Concebido há mais de 12 anos, sua construção foi questionada fartamente dentro e fora do governo da época (Rubens Spernau) e por especialistas eméritos, como Celso Dellagiustina. Em vão. Sua abertura, idem, após ser inaugurado sem as mínimas adequações sanitárias, com mais de 17 senões, segundo a Vigilância Sanitária estadual. Sem sistema de esgoto, inclusive. Sem equipe. Sem estrutura administrativa nenhuma. Construí-lo foi um erro, abri-lo, nas condições da época, idem. Torná-lo porta aberta (100% SUS) outro erro. Tivessem negociado em torno da viabilização do Hospital Santa Inês teria sigo mais negócio e mais proveitoso. E muito mais barato.

Não se pode reclamar, exceto por coisas normais que acontecem em qualquer hospital, dos atendimentos do Ruth Cardoso, mas graças às coberturas do município, porque se dependesse de estado e municípios vizinhos, intensos usuários, não funcionaria.

A medida certa foi encontrada pelo atual prefeito Fabrício Oliveira: fechar as portas e torná-lo efetivamente municipal. Medida interrompida por ação do MPSC em função da pandemia, mas não negada. Menos mal que a medida obrigou o estado a aportar R$ 2 milhões mensais para amparo dos atendimentos. Novamente sem ajuda política. Na marra. Se o dinheiro está chegando, não sei, mas há a decisão. O Estado, não poucas vezes, tem sido renitente em atendimento a essas coisas. Não cuida direito nem dos seus hospitais.

Quando a mobilidade, vivenciamos os dramas de sempre, com poucas mudanças. E o transporte urbano está comprometido pela fuga da empresa concessionária. Ainda insolvido. Vamos a prazos de paciência, apesar da pandemia.

Aqui cabe, finalizando, o ditado: não se pode esperar resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa. E fim.

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