• Aderbal Machado

Ataque a Criciúma, sua discussão, suas consequências, nossos receios naturais e armamentismo


Somente agora decidi publicar algo a respeito do ataque a Criciúma, na noite de segunda-feira, madrugada de terça. Os bandidos, em ação coordenada e muito bem planejada, jogando com o terror da população ante a incógnita dos fatos, tiros disparados a esmo em várias ruas e vários bairros, um caminhão incendiado na saída do Quartal da PM e tiros disparados contra a unidade - com o fim específico de prender a polícia no seu reduto, fizeram a cidade refém. Mais de 200 mil habitantes contra cerca de 40 bandidos cheios de armas e munições. Objetivo: assaltar o Banco do Brasil, afinal conseguido. Preferi aguardar outros fatos, para encorpar uma opinião.


No andamento, ouvi várias pessoas a respeito através de minhas mídias sociais, opinei também, mas fica um recado: quem entende de segurança pública e de ação policial não somos nós. São eles. Agiu bem a PM em não sair pra guerra nas ruas, o que teria consequências imprevisíveis e trágicas, com toda a certeza.


Algumas anotações que joguei nas minhas mídias, recheadas de conjecturas, portanto sujeitas a correções e contraditórios - a que me submeto sem receios:


a) Ataques em Criciúma se repetiram em Cametá (PA), Ponte Serrada (SC) e na cidade de Floraí (PR). Semelhanças geográficas: cidades com muitas rotas de fuga e muitos recursos de homízio rápido.


b) Uma coisa é a prática, outra a teoria (sobre população estar armada e agir). Armados ou não, populares - todos, até, se fosse o caso - ficariam tão acuados quanto a PM em Criciúma, pois lá fora não sabiam o que havia a enfrentar. Acho discussão sobre tese armamentista neste caso inútil e sem sentido.


c) Renato Igor, do NSC, disse algo, em seu comentário diário, com começo, meio e fim. Bem lógico e real: Assalto em Criciúma escancara falta na integração dos órgãos de segurança.


d) Sobre armamentismo, que admito como ideia de segurança do cidadão, difícil acreditar que, exceto num momento de legítima defesa própria, o cidadão vá sair por aí caçando bandidos ou reagindo a assaltos violentos com vítimas alheias por conta própria. Seria uma carnificina a mais.


e) Sou a favor do direito de, se quiser, poder adquirir uma arma. Eventualmente, se as regras permitirem, portá-la. Mas não acredito que, mesmo uma população inteira armada, resolveria alguma coisa como no caso de Criciúma e Cametá, por todas as suas circunstâncias.


f) Segundo a polícia, assaltantes de Criciúma podem ter convivido por meses na cidade, para captar o modo de vida e as oportunidades de uma ação como a da madrugada do dia 1, armando os esquemas de como e onde fazer. Por isso tudo foi tão fácil. Entrar, agir e escapar.


g) Bandidos podem e invadem uma cidade e implantam o terror. A lei vale nada contra eles. E se houvesse reação, o pau comia na polícia ou em quem mais reagisse. enquanto isso, o STF proíbe a polícia de invadir os mocós dos bandidos, como no Rio. O caldo está servido.


h) Temos que decidir. Evitar confrontos com bandidos pode poupar vidas, sem dúvida. Mas em compensação deixa, tácita e praticamente, o caminho livre para eles. Já têm a estratégia configurada: o medo e a precaução. Combinado com a leniência das leis e da Justiça, tá feita a farra.


Não há, como se vê, uma ordem cronológica e nem um encadeamento das anotações. Foram ao sabor do tempo e das publicações e evolução dos acontecimentos.


Entretanto, como leigo, prefiro embasar muita coisa no que disse o Coronel da Reserva Valdemir Cabral, um dos criadores e ex-comandante do BOPE, ex-subcomandante e comandante geral da Polícia Militar de SC. Ele é especialista, portanto merece atenção, pois muito do que disse é causa e efeito do que ocorreu: Sobre a noite de terror em Criciúma

Uma ação desse porte necessita de muito planejamento e logística.

Planejamento de meses, visitas, levantamento meticuloso de dados nos locais e muita, muiiiiita informação.

Logística, recrutamento de homens, aluguel de armamentos, coletes, capacetes, furto de veículos e aquisição dos explosivos com pessoas especializadas para operar e montá-los.

Minha dúvida é, como uma ação desse porte não teve nenhum vazamento, nenhum órgão de inteligência do nosso Brasil não ficou sabendo de nada???

Viajaram com vários veículos furtados, com armas, se reuniram, dormiram na cidade, se alimentaram, etc.

Bem provável que essa logística toda tenha vindo do eixo Rio/São Paulo.

Urge a união dos órgãos de inteligência, trocando informações de forma eficiente e aberta; o que se observa é que muitos deles não repassam, para usar pra si as informações levantadas.

Isso me lembra a fala de uma promotora americana que veio dar curso para os órgãos de segurança, sobre o crime organizado; disse ela:

“When the good men fight, the bad guys win!”, ou seja, enquanto os bons brigam os maus ganham, referindo-se a essas picuinhas e sonegação de informações entre os agentes de segurança.

Esse crime exige uma ação enérgica do Estado, rastreando as armas, fazendo o que não foi feito antes.

Precisamos tratar a Segurança Pública em nosso Brasil, de forma séria e eficiente, e com recursos, pois, sem verbas, nem milagre se faz.

Cel Cabral

Ex Cmt Geral PMSC

Ex Sub Cmt Geral

Ex Cmt BOPE

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