• Aderbal Machado

As pesquisas eufóricas com vitória de Lula se repetem, mas há que se ater à história e à realidade

Notável a euforia e o otimismo de esquerdistas, principalmente os lulistas e petistas, com pesquisas divulgadas quase todos os dias indicando, não raro, vitória de Lula, se candidato for, em primeiro turno, com percentuais arrasadores.

Essa euforia fugiu da escola. Carece de embasamento histórico, estribado em resultados de todas as eleições de 2002 até 2018, quando iniciou a trajetória de Lula e do PT e ocorreu a vitória de Bolsonaro. Os mapas em anexo mostram bem esse quadro, com um detalhe a ser destacado: em nenhuma eleição, nem no auge dos auges do prestígio de Lula (tempo em que ele podia sair nas ruas e era ovacionado por onde passasse), houve vitória em primeiro turno. Nem com ele e muito menos com Dilma. Mas isso é o óbvio, embora prefiramos destacar, pois o óbvio é sempre necessário para atropelar teimosias.

Em todas essas eleições, pesquisas indicaram situações, cujas ocorrências, ao final, pifaram. Normal. Até agora, noutras eleições, é assim. Fato irretorquível, por notório em demasia. Pouca diferença do quadro atual, com a agravante de que Lula, afinal, nem pode sair às ruas livremente. Até para chegar numa praia e banhar-se, num ponto remoto, precisa de isolamento da área. Enquanto isso, Bolsonaro vai aonde quer e é recepcionado por multidões.

Natural o açodamento de petistas, lulistas e esquerdistas. Sem esquecer que, em verdade, ele e Bolsonaro, os principais contentores possíveis, têm na vizinhança uma busca agônica de nomes viáveis para a chamada Terceira Via. Há e houve de tudo neste campo: Simone Tebet, Ciro Gomes, Sérgio Moro, Santos Cruz, Luciano Huck, Danilo Gentilli, José Luiz Datena, Cabo Daciolo (autêntico, nega veementemente representar Terceira Via). Uma quase massa falida, embora tentativas forçadas de parte da imprensa de endeusá-los a ponto de torná-los viáveis à disputa.

Dentro disso tudo, a impressionante guerra e os bombardeios incessantes em cima de Bolsonaro, tornando-o o alvo único a ser atingido. Impressionante igualmente que, apesar disso, ele continue parte principal da disputa.

Há erros de direção e de comportamento de todos os lados. Bolsonaro unido ao Centrão e Lula unido a FHC, o inimigo de ontem. Nem Moro, odiado como Torquemada impiedoso contra Lula e sua prisão, tem tanta antipatia de Lula quanto Bolsonaro. Parece a síndrome do beijo no chicote.

No meio disso, traições de arrependidos e de falsos parceiros. O tempero ideal para tornar incerta a vilegiatura eleitoral de 2022. Incerta, diga-se, para todos.

Se os conservadores ainda não têm a unidade necessária, a esquerda também não tem. Está fatiada.

Claro que a quem é fanático ou torce com paixão, qualquer pé de galinha dá uma janta. Vibrar com números de pesquisas pra cá ou pra lá é aceitável - embora só haja vibração quando os números são favoráveis. Quando não, são consideradas furadas. E em pesquisa, costumo dizer: ou se acredita em todas, ou em nenhuma. Prefiro duvidar de todas. Há precedentes no mundo inteiro, em passado remoto e recente. Às pilhas.

Vamos ver como essa bagaça vai se resolver lá adiante. Há muita água pra correr por sob essa ponte. Como diz a música de Elvis Presley "Bridge over troubled water".


É interessante a quem verdadeiramente interessa se inteirar e estudar dados sem preguiça, a leitura do link anexado adiante:

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