• Aderbal Machado

As perdas eleitorais, de Bolsonaro à esquerda, passando pelo fracasso dos oportunistas de plantão


Política é risco. Quem está perto do fogo sujeita-se a se queimar. Creio, apesar disso, ter o presidente Bolsonaro errado ao expressar apoio a candidatos a prefeito neste primeiro turno. Deveria ter deixado o barco seguir e então, no segundo turno, se fosse o caso, entrar no jogo. Aliás, ele contrariou uma primeira decisão, declarada claramente, de não apoiar ninguém no primeiro turno. Errou.

Tomou um vexame em São Paulo e está disputando no Rio de Janeiro o segundo turno. No caso específico do Rio, sua participação pesou menos que a própria realidade do Estado e a configuração das candidaturas. O resultado beirou a lógica eleitoral do RJ.

Entretanto (ah, as inconstâncias analíticas...), há que se dedicar um tempo no exame do outro lado da moeda. O reverso. A esquerda, tradicional crítica e adversária da direita, dos conservadores e, mutatis mutandis, de Bolsonaro diretamente, também escorregou bem nos resultados, de cima a baixo. Vejamos: O grande numero da eleição, negligenciado pela mídia mainstrean é que o PT perdeu 133 municípios (caiu de 257 para 124). Nenhuma capital. Quatro estados da Federação sem nenhum município.

Em termos de população, o PT hoje governa 3,64% dos brasileiros. Conseguiu piorar o cenário pós-Dilma.

O resultado de queda do PCdoB é ainda mais drástico: perdeu 51 municípios e governa apenas 31 (0,42% dos brasileiros). O PDT perdeu 133 municípios, ficando com 201. O PSOL, queridinho da mídia, tem três municípios (0,69% do eleitorado). Os outros pseudo-partidos de esquerda (PCO, PSTU etc.) nem aparecem nas estatísticas.

A ênfase preferencial da mídia - o "grande derrotado Bolsonaro" - deveria mudar o foco ou ao menos torná-lo imparcial, como é de seu dever social. Não o fará, porém, por estar o esquerdismo engastado na sua fronte, indelevelmente e quase totalmente.

Os resultados devem representar lição bem absorvida por todos - de Bolsonaro à esquerda mais radical. Esta eleição é um prenúncio de 2022.

Só tem uma coisa - e tenho certeza que entrarão no tema: Bolsonaro é Bolsonaro e o decantado "bolsonarismo" é outro departamento. Entre um e outro há uma enorme diferença fisica e ideológica. Pois Bolsonaro é ele. E bolsonaristas nem sempre o são na mesma proporção. Basta analisar os de primeira hora que debandaram por pura falta de oportunidade de assalto ao poder, como muitos desejavam ou imaginavam poder praticar. Vide as Joices Hasselmanns da vida.

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