As nossas agruras de estacionamento e a descoberta da pólvora de Cacau Menezes

Uma nota de Cacau Menezes sobre a dificuldade de estacionar em Balneário Camboriú, discutida em círculos do WhatsApp:


Em Balneário Camboriú a moda dos puxadinhos em bares e restaurantes travestidos de decks, ocupando não só as calçadas, como as ruas, como mostrei aqui na rua Arno Hoechel, no centro de Floripa, que a prefeitura, que deu a autorização, vai agora derrubar, já pegou com pergolado e barracos.


Segundo a jornalista Silvia Bomm, um dos exemplos está na Rua 3250 entre a Avenida Brasil e a Terceira Avenida. E são muitas que se espalham pela cidade onde há vagas também tomadas por disk-entulhos, vagas especiais para cadeirantes, autoridades e idosos, carga e descarga, embarque e desembarque e o que sobra são poucas para o cidadão trabalhador que corre o dia todo de lugar em lugar e ainda precisa conviver com essas vagas fixadas para bares e que a gente nem sabe se pagam IPTU sobre essas antigas vagas, já tão escassas em nossa maravilha do Atlântico Sul.


Ela até nem questiono sobre vagas especiais, porque são necessárias, mas sugere um levantamento sobre quantidade de vagas porque o número é grande de concessões. “Seria interessante que as associações de moradores requisitassem um mapeamento de vagas e o desenho dessas áreas já não aptas para a real necessidade de nosso morador e trabalhador. A Zona Azul também faz falta desde o seu cancelamento. É muito difícil estacionar em Balneário Camboriú. É de chorar”.


Chamo esta nota de “descobriu a pólvora”. Porque nela inexiste qualquer novidade.


Três registros de partes com que se há de concordar:


1. O abuso na ocupação de espaços de deques nas calçadas. Praticamente viraram extensões fixas dos locais. E hoje ficará mais complicado retirá-los do que permiti-los. Nem se discute a sua conveniência turística e facilitação na atração de clientes, mas estas são questões discutíveis.


2. A ausência de controle do estacionamento via Área Azul. Isto complica um pouco a alternância de vagas, tão necessária, apesar de críticas de tantos quanto, principalmente, as gratuidades temporais – como as “áreas brancas” de Itajaí -, porém difíceis de fiscalização.


3. O abuso dos “disque entulhos” é real, embora eles também sejam necessários. Falta uma regra de quais as suas condições para serem colocados nos locais. Tanto quanto das betoneiras da construção civil. Deveria haver um dispositivo limitando os horários. Há? Não sei. Se há, poucos cumprem.


Isso tudo leva a um debate justo e injusto ao mesmo tempo, por “n” motivos:


Balneário Camboriú é um centro generativo e pulsante de desenvolvimento, com exponencial participação da construção civil – sua principal máquina de geração de empregos e investimentos. Se é bom ter um controle sobre suas atividades, é melhor ainda não entravar a sua operação – ainda que isso, em determinados instante e condições, cause incômodo ou desconforto.


Balneário Camboriú tem um território limitado a 46,5 km² de área, com efervescência principal de acumulação demográfica e tráfego de veículos nos mais ou menos 21 km² da convulsionada área central – ou Centrão – que vai da Barra Sul ao Pontal Norte e, na direção Oeste, até ao muito próximo limite com Camboriú.


Dentro deste território, convivem 100 mil veículos licenciados na cidade atualmente, 52 mil dos quais automóveis e mais de 15 mil motocicletas. Some-se os tantos de Camboriú, de Itajaí, de Itapema ou de outras cidades vizinhas que por aqui circulam e teremos um caos previsível, exceto, ainda, os turistas, visitantes e trabalhadores de todas as categorias e de outros centros que vêm aqui ou para aqui todos os dias. Não há espaço que resista e que seja suficiente. Nem para a circulação – sempre problemática dentro e fora dos horários de pico, sendo bem pior nesses – e muito menos para vagas de estacionamento. Com ou sem Área Azul, mas pior (bem pior) sem ela.


Há quem diga que isso pode prejudicar o turismo. Não prejudica. Se tivesse que prejudicar, estaríamos na lona há anos, pois os turistas vêm em cada vez mais número todos os anos e nem estão aí com tranqueiras e filas pra tudo. E, como disse eu na discussão do Whatsapp, em nenhuma, absolutamente nenhuma pesquisa de satisfação turística sobre Balneário Camboriú há negativismos sobre tranqueiras no trânsito ou filas pra tudo. E, só para referir, nem sobre sombra na praia ou muvucas. A reclamação é do morador. Que, ao final, depende desse desenvolvimento para ter a sua atividade valorizada.


E afinal, em Balneário Camboriú, se alguém morar ou hospedar no Centro, só usa o veículo em último caso, se assim quiser e se dispuser - e não tiver preguiça.


Talvez fosse mais feliz Cacau ou um comentarista qualquer falar sobre o fato de Balneário Camboriú ser uma cidade sui generis dentro e fora das temporadas, com seu comércio funcionando sem parar nos dias comuns, domingos, sábados à tarde e feriados – coisa que nem Florianópolis tem, ou principalmente Florianópolis, onde tudo fecha burocraticamente nesses momentos da vida. E onde, por sinal, tanto quanto Bombinhas e Itapema, outros dois centros de excelência turística, estacionar é um pesadelo. Ou, como disse Cacau, “de chorar”.

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