Antes de Partir - um filme, uma lição

Antes de partir - Este filme, com Jack Nicholson e Morgan Freemann, marca muito bem os valores da vida. Um (Jack) milionário excêntrico. O outro, Freemann, um sujeito pobre. Ambos, num momento coincidente, viram-se às voltas com doenças. E decidiram, por convite do personagem de Jack, viajar pelo mundo. E traçaram num papel objetivos a serem alcançados. Algo que parecia estranho e impossível, à primeira vista. Ao final do filme, surpreendente (aliás, excelente filme e tem no Netflix e recomendo), o personagem de Freemann morre e o personagem de Jack o homenageia no velório.

Cumpriram todos os objetivos, um deles a reconciliação do personagem de Jack com a filha e a neta.

Como crença, como objetivo, como perseverança, como exemplo de convivência, com seus arroubos e idiossincrasias e até seus abalos e entrechoques, inigualável. O autor merece um premio. Vários prêmios. Mostrou como a vida nos trata e como tratamos a vida. Ou como devemos tratar a vida, mesmo com seus percalços, armadilhas e surpresas desagradáveis.

Isto me parece muito próximo da realidade maçônica, onde se desbasta a pedra bruta à busca da perfeição. E por todo o sempre continuamos a bater com o cinzel, porque a perfeição é um preceito contínuo, incessante, exigente. Que atingimos em vários estágios: ao ampararmos um amigo, ao reconhecermos o valor de alguém – mesmo um profano querido ou não -, ao estimularmos à conquista de uma meta, ao abrirmos portas de oportunidades para quem nos confie sua sorte, ao distribuirmos sorrisos, abraços, benquerenças – enfim, amor.

Recolhi de um texto da Internet, como simbolismo disso tudo:

A maçonaria exige, de seus membros, o respeito às leis do país em que cada maçom vive e trabalha. Os princípios Maçônicos não podem entrar em conflito com os deveres que, como cidadãos, têm os Maçons. Na realidade, estes princípios tendem a reforçar o cumprimento de suas responsabilidades públicas e privadas.

Induz seus membros a uma profunda e sincera reforma de si mesmos, ao contrário de ideologias que pretendem transformar a sociedade, com uma sincera esperança de que o progresso individual contribuirá, necessariamente, para a posterior melhora e progresso da Humanidade. E é por isso que os maçons jamais participarão de conspirações contra o poder legítimo, escolhido pelos povos.

Para um maçom, as suas obrigações como cidadão e pai de uma família devem, necessariamente, prevalecer sobre qualquer outra obrigação e, portanto, não dará nenhuma proteção a quem agir desonestamente ou contra os princípios morais e legais da sociedade.

Em função disso, os objetivos perseguidos pela maçonaria são:

Ajudar os homens a reforçarem o seu caráter;

Melhorar sua bagagem moral e espiritual; e

Aumentar seus horizontes culturais.

Pois acrescento, como contexto de vida:

Não deixe que o sistema te limite.

Não deixe que a vida te atropele.

Não desanime.

E seja justo, sempre.

E atravesse na faixa. A faixa de segurança da vida é a união de várias condicionantes ou atributos: perseverança, vontade, talento, zelo, lealdade, fidelidade, responsabilidade, honestidade, coragem, harmonia, respeito (que não é ausência de medo, mas disposição para enfrentá-lo). Cada um alinhave outros que encontre ou conheça. É válido. Neste campo não há e nem deve haver prato feito. Tudo o que define um bom obreiro, porém com mais conteúdo e espiritualidade, por nossos princípios.

(Artigo escrito originalmente para o Jornal Maçônico de Criciúma, edição de agosto)

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