• Aderbal Machado

Adensamento urbano desmedido e chuvas intensas são causa da poluição da água do mar

Em 29 de dezembro, 78,8% dos pontos analisados pelo IMA nas praias de SC eram considerados próprios para banho. Em 7 de janeiro, uma semana após, esse percentual caiu pra 69,3% e neste 14 de janeiro, caiu para 61%. Vê-se, com clareza, uma redução da balneabilidade com o crescimento da demanda turística nas praias mais movimentadas e mais adensadas, além das intensas chuvas no dia da coleta da água do mar. Isso teria causado o fenômeno, segundo Maria Heloísa Furtado Lenzi, secretária do Meio Ambiente de Balneário Camboriú.


Na última análise, Balneário Camboriú, conforme já mostramos aqui, teve sua Praia Central com apenas um ponto próprio: em frente à Rua 4900. Justamente um ponto crítico de outras análises. Em compensação, as praias de Laranjeiras, Estaleiro, Estaleirinho e Taquaras mantiveram-se limpas em todas as análises.


Outras praias adensadas e muito frequentadas por turistas nesta época viveram o mesmo drama - o aumento exponencial dos pontos impróprios: Navegantes, Itapema, Bombinhas, Governador Celso Ramos e Penha. Explicação, portanto, plausível: quanto mais gente e quanto mais chuva, mais sujeira vai pro mar e o torna ruim na avaliação técnica do IMA.


Tecnicamente, segue-se resolução do Conama. Realmente, contudo, os dados precisariam ser compreendidos de forma diferente, se o cidadão comum conseguisse entender a mecânica e a levasse em conta: a última análise, por exemplo, mediante esses terríveis índices, foi feita na segunda-feira chuvosa, e os dados divulgados na sexta. Um interregno de tempo considerável, quando as condições do mar podem mudar completamente, para melhor ou para pior.


A prefeitura de Balneário Camboriú manteve, por um período, uma análise paralela da balneabilidade em tempo real, hoje desativada ou pelo menos não divulgada. Se isso impediria o reflexo dos dados do IMA, fica-se sem saber. Seria, porém, de boa iniciativa mantê-la, mesmo por desencargo de consciência e ajuste da realidade.

E afinal, um fato fica claro: o adensamento urbano desmedido é a causa direta desse fenômeno, com ou sem chuvas.

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