• Aderbal Machado

A Via Panorâmica e seu viés de narrativa política e reais condições


Longa discussão no whatsapp com integrantes do Conseg sobre trânsito, motoristas, sinalização, a propósito inicial de debater a Avenida Panorâmica.

Um dos comentários obteve minha simpatia: por ali passam cerca de 10 mil veículos por dia e há, sim, problemas com muitos na rampa de subida, em direção à Avenida das Flores. Virou fundamento para críticas durante a campanha eleitoral, quando disseminaram filmagens oportunísticas de veículos parando e descendo de ré.

A discussão girou em torno da qualidade de muitos motoristas e da condição de muitos veículos. Afinal, na média, são 300 mil veículos por mês passando por ali - e a incidência de problemas havidos pouco ou nada parece ter de responsabilidade da própria via, senão de outros fatores, a começar pela qualificação e habilidade de condutores.

Mostrou-se, à guisa de questionar a qualificação de condutores, os tantos acidentes ocorridos ao longo de vias planas e retas, como a Avenida do Estado, Avenida Atlântica, Quarta Avenida - e o próprio trânsito normal, todos os dias, mostra claramente o risco de andar por aí na dependência das barbeiragens e inconveniências gerais dos nossos condutores habituais, furando sinais, cruzando de uma pista para a outra sem dar seta, indo pela pista da direita quando quer entrar à esquerda logo à frente, "costurando" de um lado para outro, andando a 10 por hora na pista da esquerda, não parando para passagem de pedestre nas faixas de segurança e vai por aí.

O Grupo Contran deverá discutir melhor o assunto, segundo diz Valdir Andrade, presidente do Conseg. Tomara. E é razoável discutir a Panorâmica, especialmente, a começar pela inclinação da subida, detalhe mais observado. A sinalização é outra discussão e a discriminação de tráfego também. Quando o viaduto estiver concluído, haverá possibilidade de alternar o trânsito pesado por outro trajeto, disciplinando o tráfego por ali.

O fato é que ficar apenas acusando um erro - e não se discute se, do ponto de vista de engenharia houve ou não - leva a lugar algum. Boia no vazio. Tornar a discussão prática é melhor. Com ares de civilidade. A obra está feita e ali ficará. Usá-la racionalmente faz parte da necessidade viária. Não é uma tragédia. Fica difícil evitar o uso político e as narrativas de descaso - mas é preciso levar ao ponto ideal de consenso e resolver. É o ideal, para o bem de todos.

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