• Aderbal Machado

A rebeldia popular e a desobediência civil ante a pandemia da Covid-19

Nosso Código de Trânsito é de 1997. Lá se vão 23 anos. E até hoje é desobedecido abusivamente por motoristas. Fala-se na necessidade de conscientização do cidadão - e nada resolve. E então querem que, em dias ou poucos meses, o cidadão se conscientize contra o coronavírus, evitando aglomerações nas praias. Nem com as mortes e os acidentes no trânsito, estatísticas trágicas em que o Brasil é campeão mundial, mostradas todos os dias, o CTB, as punições pesadas (a maioria não cumpridas ou facilitadas por afrouxamentos malucos da lei e da Justiça - e talvez aí esteja o principal óbice) e a tal conscientização resolvem. Imagina se vão ligar para um vírus invisível a olho nu. Que mata, sim, como o trânsito. Talvez aqui estejamos lidando com a conhecida e reconhecida rebeldia do brasileiro, inconformado com os desencontros governamentais e a confusão de regras, além do ônus social e econômico que isto causa, diretmente a cada um e a todos. E a rebeldia acontece, mesmo com o risco da sua própria vida. A vida dos outros, então, nem se fala. As pessoas só sentem o peso das tragédias quando batem à sua porta. E então se arrependem e suplicam por ajuda. Mas a culpa não é só sua, se não do entorno político. O Brasil não é para principiantes.


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