• Aderbal Machado

A política e a eleição em cima de realidades moldadas por gigantismos, inferências e surpresas

Em política e em eleição, nem sempre tamanho de partido ou de bancadas resolve questões importantes da sociedade. Exceto quando esses potenciais são dirigidos corretamente a uma finalidade social. E essa condição - tamanho ou grandiosidade - não resolve preferência eleitoral. Os exemplos sobram - Collor em 1989, eleito presidente pelo pequenino PRN, partido criado à última hora para servi-lo, e, na mesma eleição, o vexame eleitoral de Ulysses Guimarães, do então PMDB (até hoje o maior partido do país em praticamente todos os quesitos compulsados), humilhado no resultado final da eleição presidencial com uma sétima colocação, após portentosas participações na Assembleia Nacional Constituinte e nas campanhas das Diretas Já.

E, chegando perto, o resultado de 2018 em SC. Quem diria, em sã consciência, e a cinco dias da eleição, que Carlos Moisés tinha alguma chance de ser eleito e, num segundo turno arrasador, ter a maior votação que um candidato ao governo do Estado já obteve, desde sempre na história?

Em todo caso, adesões são importantes. Por capacidade de angariar votos e apoios e por causar um efeito psicológico no inconsciente coletivo. Agora mesmo, ante a janela partidária, até 1 de abril (data emblemática), muitos migraram, outros aderiram, outros se filiaram, engordando bancadas. O PL tem sido o mais aquinhoado pela razão indiscutível da filiação do presidente Bolsonaro. Só de SC foram três deputados federais e a conta não terminou.

Isto influirá no resultado final da eleição? Pode ser que não, ao menos na intensidade que muitos imaginam ou querem, mas que causa um plus, causa.

Esta eleição presidencial, apesar do cenário aparentemente confuso, tem coisas muito claras: a pretendida terceira via está fazendo água dia após dia. Quase morta de inanição. Dois nomes continuam - acreditando-se, claro, nas pesquisas - na crista: Bolsonaro e Lula. Ambos surrados pela mídia e pelas críticas de correligionários de um lado e outro. E, exceto por uma novidade ainda desconhecida ou longe da nossa percepção, inexistem adversários capacitados a mudar este quadro.

E isto ocorre porque as oposições ou as correntes políticas todas, exceto as detentoras do poder, só se jogam na liça quando a água bate no traseiro ou quando o processo eleitoral se acende. O prazo é curto. Poucos, pouquíssimos permanecem por quatro anos de um mandato operando no sentido de sensibilizar eleitorado ou galvanizar apoios, buscando solidez à frente e na época própria.

Lembram de Collor? Pois é. Ele ficou, como governador de Alagoas, se decantando como o "Caçador de Marajás" o tempo inteiro. E marcou fundo, levando-o a uma eleição surpreendente, reforçado por um marketing muito bem feito, reconheça-se. Enganoso, mas muito bem feito. O resultado final vimos: estratégia correta e um fim melancólico.

Melhor seria unir as bonomias de um fator e outro. No Brasil é difícil, porém não impossível.

Esta eleição será apenas mais um episódio a ser registrado nas avaliações dos sentimentos e realidades políticas do Brasil.




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