A notícia ante o absoluto e o relativo

Eu posso dar uma notícia com o mesmo tema ou os mesmos dados e provocar uma interpretação diferente. Por exemplo: A África do Sul - um país rico (57.560.000 de habitantes), tem 311.049 casos de Covid-19 e 4.453 óbitos pela doença. Em dois de junho tinha 2.200 mortes, mas sem uso de qualquer tipo de medicamento preventivo. O Lesoto, outro país africano e pobre, que usa ivermectina por causa de comorbidades típicas do continente (não especialmente contra Covid), com 2.007.201 habitantes, tinha em 2 de junho 0 óbitos por Covid. Hoje tem 3, com 256 casos. Mesmo que se multipliquem os números em função da de população entre os dois países, reduz a diferença relativa, mas nem chega perto. Se eu fosse usar esses números relativos ao invés dos absolutos e quisesse causar sensacionalismo catastrofista, diria: "Enquanto a África do Sul teve crescimento de 49,4% dos óbitos por Covid e sem uso de Ivermectina, o Lesoto, outro país africano e que usa Ivermectina, teve um crescimento de 300%". Se ninguém pesquisar - e quase ninguém pesquisa, só lê e interpreta o que repassam e muitas vezes só as manchetes ou as chamadas, fica por isso mesmo.


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