• Aderbal Machado

A necessária transformação do rádio e do radialista em tempo de autenticidade e modernização


Conversei com Silvano Silva, presidente da Acaert - Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão de SC - sobre o rádio atual. Ele é um crente incorrigível do meio, seja como simples profissional ou como um dos dirigentes de uma das maiores redes de comunicação do estado.

Colocamos ambos alguns questionamentos, mas o principal ditou-o Silvano: o rádio precisa evoluir, pois só é apenas um. Ele defende a aceleração das multiplataformas, hoje inevitável para o crescimento seguro. Fora disso ficará a cada dia mais complicado. Sem Internet o rádio simplesmente decairá, segundo ele. Um caminho sem volta. Quem não se preparar, vai sofrer.

Logo depois, conversei com Humberto Ohf de Andrade, presidente do Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de SC, empresário de comunicação em Rio do Sul.

A ele levei outra questão: a presença de radialistas legalizados nas emissoras. Entendendo-se legalizados aqueles com registro regular no Ministério do Trabalho. Pelo que falou, há dúvidas sobre isso, pois se desconhece se todas as empresas exigem registro de radialista para o exercício da função.

O assunto surgiu e me interessou porque o Senado acaba de aprovar a identidade profissional do radialista como documento oficial válido em todo o território nacional. Para obter o documento, é imprescindível o registro no Ministério do Trabalho. Quantos têm?

Isto tudo é apenas uma retórica, confesso, por ter estado na atividade plena da profissão por mais de 60 anos (desde 1962, em Criciúma). Nunca se conseguiu chegar a lugar nenhum na profissão quanto ao seu reconhecimento e valorização devida, principalmente porque, com ou sem registro, muitos exerceram-na sem mistérios. E também confesso, muitos desses diletantes se saíram melhor do que boa parte dos profissionais registrados.

Tivemos um sindicato da classe feito poste, que nunca serviu pra coisíssima nenhuma, exceto para dar guarida a dirigentes eternizados nos cargos. Um deles, já falecido, ficou na presidência por mais de 40 anos. O sindicato se tornou, por assim dizer, um feudo de Florianópolis. Nisso está também o sindicato dos jornalistas. A ambos fui filiado. E de ambos me desfiliei, por absoluta inutilidade de estar lá. Tanto minha quanto deles. Do sindicato dos jornalistas cheguei, por um breve e infeliz momento, a ser um dos seus diretores. Escorregão imperdoável e me penitencio até hoje.

Enfim e encerrando, algo precisa mudar, mas apenas em relação a algumas outras realidades. Como a imposição de muitas empresas de só admitir jornalismos se os espaços foram comercializados com os interessados, com pagamento de "aluguel" pelo uso dos horários. Pior: sem perda de controle editorial da emissora. Ou seja: comprar, pagar, mas sem poder ser livre. Comprar a própria cela e se trancar dentro. E jogar a chave fora. E pagar por isso. Um detalhe: condenam a figura do PJ nas contratações. Eu não. Eu defendo e aplaudo. É uma forma de não ficar preso por lá. Tanto um como outro lado. Lisura. Não gostou, cai fora ou manda embora sem delongas. Claro, obedecidas algumas formulações adequadas, como a seriedade e a honestidade das relações.

Se mudanças são um sonho, que sejam um sonho bem sonhado...




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