• Aderbal Machado

A eleição em Balneário Camboriú e a matemática do voto

A campanha eleitoral se desenvolve, em todos os lugares, com o receituário de sempre: propostas iguais, promessas incongruentes com a realidade e fora dos propósitos de vereadores ou prefeitos - que prometem até o que não lhes é de competência e muitas mentiras e ataques furiosos contra adversários.


Candidatos à reeleição à Câmara assumem compromissos que foram incapazes de realizar no curso de seu mandato, alguns até em mais de um mandato consecutivo e apregoam o que o povo quer ouvir e deseja ver concretizado - num tipo comum de argumento: a enganação sistemática, confiando na memória curta ou na desinformação do eleitor.


Noutro lado, é assustadora a estrutura colocada em campo por candidatos a vereador, recheados de recursos próprios, partidários e de terceiros. Maioria dentro da lei, mas demonstrando uma separação entre o poder do dinheiro e dos mais modestos. Confortante saber, todavia, que nem sempre isso decide, se não houver, na essência, a palavra acreditada e a imagem confiável. Exemplos são historicamente conhecidos em eleições passadas, em todos os níveis. E também porque o povo busca objetivos que nem sempre combinam com os objetivos dos candidatos.


Em Balneário Camboriú, todos os torpedos de oposição se voltam contra a gestão do atual prefeito, Fabrício Oliveira, candidato à reeleição. Alguns mais, outros menos virulentos. Alguns clássicos e alguns grosseiros. Dizia um amigo, ex-prefeito de uma cidade do sul, já falecido, que "só se dá varada em laranja doce". Ninguém se preocupa com frágeis. Só os fortes causam esse tipo de temor e reação. E, convenhamos, o prefeito Fabrício é o nome mais forte da eleição e a divisão da oposição em cinco nomes o favorece sobremaneira, pois pulveriza os votos contrários. Os dele, são dele. Indivisíveis.


E numa eleição há que se prestar atenção na matemática dos votos, considerando-se eleições anteriores, ainda mais naquelas em que nomes que concorrem atualmente já estiveram e foram mal sucedidos, comprovando-se um desgaste eleitoral.


Em 2016, por exemplo, Fabrício levou mais de 32 mil votos. Praticamente a metade dos votos válidos (49,40%). Supondo-se desgaste, como querem seus adversários e como naturalmente até pode ocorrer, se ele chegasse ao extremo de 50% de perdas (o que parece improvável em qualquer universo), ainda teria 16 mil votos. Considerando-se os votos válidos de 2016 repetindo-se agora (em torno de 66 mil votos ou até menos, em função da pandemia), teríamos 40 mil votos sendo divididos por cinco candidatos (média de 8 mil cada). Por menos ou mais que um ou outro leve, algum deles teria que abocanhar o dobro da média para empatar com o prefeito. É só imaginar o resto. Falando-se especificamente em nomes: Pavan, o guru máximo do PSDB, ele mesmo chegou a 22 mil votos em 2016, com a força do PP junto. Por certo não tem potencial de transferência para Auri de modo a prover votos ao nível do que levou: se muito, 30% e olhe lá e o potencial político-eleitoral próprio de Auri é praticamente zero. O PP, hoje com Auri, pouco mudará, como não mudou em 2016.

Piriquito, com o histórico de dois mandatos de prefeito, praticamente empatou a votação com Carlos Humberto em Balneário Camboriú (10.871 x 10.305 votos). No geral foi pior: Carlos Humberto chegou a 24.610 e Piriquito 20.063 votos.


Concordemos que eleição não é uma ciência exata e cada eleição tem uma realidade, mas matemática eleitoral ainda é válida e até simples de fazer, bastando paciência e critério de compulsar dados reais e incontestáveis.


Mesmo se considerarmos a exploração de fragilidade ou erros de conduta, o eleitorado é pragmático até nisso. Além do que, a avalanche de informações oferecidas pelas mídias sociais nivelou bem os fatores positivos e negativos.

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