A doidice de propor a construção de um outro hospital municipal em Balneário Camboriú


Insanidade absoluta sugerir, como alguns candidatos o fazem, a construção de um outro hospital municipal em Balneário Camboriú. Sobram razões para dizermos isso: o Santa Inês está fechado desde quando, há 12 anos, surgia o Ruth Cardoso. Só se voltou a falar na possibilidade de sua reabertura agora, ante a pandemia. Assim mesmo, há que se calibrar bem os argumentos: 1) o município não tem condições de assumir mais um hospital; 2) o estado não é confiável em assumir compromissos de ajudar, pois não ajuda nem o Ruth Cardoso, senão por decisão judicial e provisória; 3) a verdade é dolorida: temos um Pronto Socorro concluído em 2013, entregue pelo Estado pronto e equipado e a prefeitura não assumiu, nem na gestão anterior e nem nessa. 4) assumir o Santa Inês não é tema pra duas conversinhas - há todo um questionamento jurídico-empresarial-financeiro para contornar e é grave. E também dá para ver por que: se assumisse ou se assumir, terá que arcar com todos os ônus - tal como construir um novo hospital para atendimento regional. Impraticável. Este Pronto Socorro custou R$ 5 milhões, à época, e foi solenemente ignorado até agora, por ser inviável mantê-lo por conta do município. E é mesmo. Seria loucura assumi-lo assim.

Esta obra poderia ter sido rejeitada e motivos não faltariam para isso, mas houve o medo de reações. Vimos, no entanto, que houve muita demagogia em cima disso. E continuam.

Então, finalmente, propor um novo hospital quando nem se consegue manter adequadamente o Ruth, a não ser com custo astronômico para Balneário Camboriú, é maluquice, se nem se consegue ativar um Pronto Socorro entregue com tudo.

Cremos que nenhuma solução duradoura para a saúde de Balneário Camboriú e municípios adjacentes será possível se não houver um debate sério e forte de vocacionamento dos hospitais, com cada cidade cuidando do que é seu. Mesmo a decisão judicial que bloqueia mensalmente R$ 2 milhões do Estado para o Ruth não é saída. Até por ser medida provisória, liminar e acabará após a pandemia. Aliás, estes atendimentos não são questão de dinheiro, mas de estrutura pouca.

E mesmo a decisão judicial de bloquear os R$ 2 milhões do Ruth, melhor faria se dividissem esse dinheiro entre os hospitais de Porto Belo, Itapema, Camboriú e Bombinhas (tipo R$ 500 mil para cada um para cuidar das suas responsabilidades, desconcentrando a romaria ao Ruth).

O mal das discussões político-eleitorais é isto: simplificam o que não dá para simplificar, só para ganhar votos. Prefiro a realidade dura, para não chorar depois e ter que mentir de novo e de novo, em meio a justificativas tortas.

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