A discussão sobre saúde precisa ser definitivamente regionalizada

Continuo preocupado com a abertura (embora saudável e praticamente necessária neste momento, como alternativa de combate à pandemia) ou reabertura do Hospital Santa Inês, com o fim de utilizar seus leitos como UTI de emergência específica.

A preocupação, portanto, inexiste quanto à utilidade em si. A preocupação é quanto à manutenção e custeio. O município está assoberbado e o Estado anda capenga em relação à participação financeira solidária. E me preocupo não apenas pelo custeio, mas também pela eventual carência de meios complementares para funcionamento dos leitos.

Restam pouquíssimas dúvidas de que acorrerão pra cá pacientes de outras cidades da região, jogando o custeio para Balneário Camboriú, como acontece em tempos normais com o Hospital Ruth Cardoso. E, dependendo da evolução dos casos, poderemos chegar à novo patamar de saturação. É impossível, legal e humanitariamente, dispensar o atendimento regionalizado. Então que se criem outras e mais condições para isso.

Os municípios da Amfri precisam parar de olhar cada um seus próprios interesses, nem sempre coincidentes com o interesse da população da região

Quais alternativas existem? Equipar os hospitais de outras cidades com leitos de UTI específicos para atender pacientes com Covid. Concluir o projeto de abertura da nova ala do Hospital Marieta, travada por ineficiência administrativa do governo do Estado.

Aliás, a política de regionalização da saúde, afora o momento vivido agora, precisa ser discutida e praticada. Coisa de alçada da Amfri e do tal Parlaamfri, até aqui inertes em relação a isso. De modo que se pratique o vocacionamento dos hospitais de toda a região, dividindo as especialidades de atendimento e desconcentrando nos principais hospitais os atendimentos generalizados.

Esta proposta tem anos e nunca foi devidamente considerada. Sequer tentaram discutí-la, quanto mais implementá-la. Desde os tempos em que o atual prefeito de Itajaí, Volnei Morastoni, então deputado estadual e presidente da Comissão de Saúde da Assembleia propôs e não encontrou o menor eco.

Este papel deveria ser ativado e reforçado pelos prefeitos e pelos vereadores, mas, pelo jeito, preferiram soltas palavras ao vento e cuidar cada um da sua vida, trocando o supérfluo pelo principal, brigando por uma irracional possibilidade de o estado amparar os hospitais e os municípios se cotizarem além das AIHs para manter os atendimentos regionalizados com o êxito esperado em favor da sociedade.


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