• Aderbal Machado

A atraente renda de esmoleiros, causa de sua disseminação rápida e volumosa na cidade

Sobre moradores de rua em Balneário Camboriú, caso ressaltado pela visão de um varal de roupas estendido no novo espaço, no Pontal Norte e repercutido na imprensa.

Muitos interpretam de uma forma, digamos, imperfeita: inexiste qualquer possibilidade de eles aceitarem recolhimento ao espaço ofertado na Casa de Passagem. Sequer aceitar ocupação formal. Razão simples: ganham infinitamente mais nas ruas, pedindo esmolas ou uma ajuda aqui e ali. Sem as peias e liames de um emprego de salário minimo bruto, horário, chefe, responsabilidade de tarefa e tudo o mais. Há casos de esmoleiros faturando até R$ 5.000,00 mensais. Ganhar um salário mínimo, no caso deles, é mole e nem precisa atuar muito. Algumas horas por dia e em apenas dois ou três dias nos horários de pique do trânsito, chegam lá. Então, emprego pra quê?

Olhando bem, compulsando a remuneração básica ou o piso de muitas profissões, veremos um contraste brutal: um jornalista, por exemplo, tem o piso de R$ 2.585,77 - bruto.

Informação oficial de sindicatos:

"A faixa salarial do Jornalista fica entre R$ 2.528,27 salário mediana da pesquisa e o teto salarial de R$ 7.601,64, sendo que R$ 2.984,18 é a média do piso salarial 2021 de acordos coletivos levando em conta profissionais em regime CLT de todo o Brasil.27 de fev. de 2020"

Usei o exemplo da minha profissão, embora aposentado, para não ferir suscetibilidades. Viram como é forte o contraste. Ou seja: se eu fosse esmoleiro, teria mais sucesso salarial, sem disputar mercado.

Vamos e venhamos: parece ser um bom negócio viver de esmolas. Atentem para isso, quando depararem com uma campanha contra dação de esmolas em sinaleiros.

Porque a sua atitude pode estar alimentando alguém, como pode estar estimulando uso e/ou tráfico de drogas e, principalmente, estimulando bandidos a usarem o sistema para cometer seus crimes aqui. Pensem nisso.

Sem contar com o fato: essa ação fácil atrai malfeitores. Eles se misturam aos necessitados (ou qualquer outro nome que se lhes dê) e vão germinando como guanxuma.

O risco é da mesma sociedade que os alimenta. Infelizmente é assim.

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